Blog do escritor Ferréz

A arte do país periferia - Ferréz



A arte do país periferia.
A periferia de um modo geral é conhecida pela noticiário criminal, Apesar do esforço do Datena, ainda conseguimos mostrar além de tudo a sobrevivência e muita arte.
Quem mora aqui sabe que tem algo mais do que os ônibus lotados, os barracos não rebocados, o aposentado recolhendo papelão, os motoboys voltando para casa, jovens com pipas nas mãos, donas de casa trazendo sacolas do mercado. 
A banca de jornal vende revista Caras, enchemos os olhos com uma mídia que não nos representa, mas no campo de futebol o menino sem camisa joga num time de várzea, chegando em casa todo suado, abrindo a geladeira e não vendo nada pra comer, então ele vai pra outro cômodo daquele barraco, pega suas latas de spray, ele não tem espaço para expor seus trabalhos, ele não terá catálogo nem sua obra renderia um centavo, talvez um tapa no rosto e as tintas usadas no próprio corpo, com um policial ameaçando de novo, mas o desenho no muro é finalizado, ele volta pro mesmo barraco, só que animado para um novo recomeço.
Em outra favela, o poeta trabalha até tarde para depois ir para o bar arrumar as cadeiras, preparar o som para logo a noite começar o sarau.
Toda semana tem no mínimo dois saraus, todo mês tem lançamento de livros aqui. Tudo bem que alguns livros são artesanais, acabamento precário, e muitas vezes não têm tiragem superior a 100 exemplares, mas eles se contrapõem ao livro que o projeto cultural do banco faz com o nosso imposto, livros de capa dura, páginas espessas, cores em alta definição, livros pesados e desajeitados, que trazem, em edições caras, páginas especializadas em vinhos. Tirar verba do transporte, da saúde, da educação, pra dar um livro tão grande a algum cliente para que se masturbe mentalmente deve valer alguma vaga num possível inferno, pode ser até o de Dante.
A nossa vida não tem de ser uma filial do Afeganistão, se tiver de ter uma guerra vamos declarar essa batalha contra a falta de informação, contra o preconceito e a ignorância, que mata nosso povo todo dia, seja não lavando as mãos antes de comer, ou contribuindo para uma previdência social falida.
Pra tudo isso ter sentido, precisamos do senso critico e isso pode ser obtido pela  arte, mas vital e honesta, arte de rua sem estereótipos e mesmo sem diplomas.
A arte não está só na reciclagem, hoje muitos já fazem permacultura, sem mesmo  saber o que significa a palavra.
Aqui é onde resíduos são aproveitados, o sapateiro faz arte em sua pequena loja cheia de solas velhas, o marceneiro criando sofá de madeira jogada em frente a sua casa, entre vielas e escadões, gritam os grafites, cenas do dia-a-dia que retratam o próprio artista e as pessoas que o cercam, sua própria visão da realidade e sempre estão em guerra contra o cinza da prefeitura.
O artista vive uma coletividade carente de recursos, mas tem o principal, a habilidade, e ela é exercida todos os dias, pois eles vivem em contato com pessoas da sua mesma origem, muitas vezes a dor que ele usa é de uma observação ou até mesmo de uma vivência própria.
Alguns dizem estar a um passo a frente, e por comodismo não se arriscam mais a fazer algo original e seus quadros, textos, obras, parecem ter saído de um molde, e a universidade não o é?
Falta de imaginação, onde na tela não cabia idéias, agora é vazia, apenas a vivência prática permite a autenticidade, ou esse texto mesmo seria sem nenhuma palavra.

3 comentários:

José Marcos dos Santos disse...

Caro Ferréz, sou professor de uma escola pública do interior de SP. Sobre o texto "A arte do país periferia", muito interessante a sua colocação a respeito da mídia. Lendo outro artigo no jornal, o articulista Dal Marcondes ainda comenta que "essa" mídia só retrata o jovem da periferia sob duas óticas "apenas": como consumidores ou como infratores. Abraço.
Marcos, Cabreúva /SP

Eduardo Alves Cardinalli disse...

Cabreúva, 19 de novembro de 2015.
Oi Ferréz, boa tarde.
Meu nome é Eduardo Alves Cardinalli, tenho 13 anos, estudo na escola estadual Lucídio Motta Navarro no 7º ano do Ensino Fundamental em Cabreúva.
Gostei de saber, e achei bem legal que você se esforçou para criar uma biblioteca no meio da favela, e diminuir a violência e o tráfico de drogas nela.
Na minha opinião, essa ideia que você teve foi bem planejada, mesmo com a ajuda de poucas pessoas, por outro lado, mesmo assim vocês conseguiram terminar de construir e comprar os materiais necessários para a biblioteca.
Uma boa ideia de matéria seria comentar sobre livros de sua biblioteca, acho que seria bem legal isso.
Até mais, tenha um bom dia.
Eduardo Alves Cardinalli, Cabreúva/SP

Eduardo Alves Cardinalli disse...

Cabreúva,19 de novembro de 2015
ola, boa tarde
eu moro em Cabreúva , me chamo Anderson moro em cabreúva,tenho 12 anos moro com minha avó e alguns tios.
Eu gostei muito de algumas histórias como o da Biblioteca Êxodos na minha opinião você livrou e tranquilizou a vida de muitas pessoas transformando um ponto de drogas em uma biblioteca chamada Êxodos.
pra mim foi muito bem planejada suas histórias que no entanto são bem escritas e reais isso foi um dos principais motivos de gostar de suas histórias.
Agora estou me despedindo de você pois como não sei me despedir digo até mais herói Ferréz tchau tchau.
Anderson Paulino Alves Rodrigues