Blog do escritor Ferréz

Capão Pecado proibido nas escolas.

Palavrão na escola: MEC defende livro que pais rejeitam Ministério da Educação e Governo do Estado são a favor de "Capão Pecado"; Fapaemg quer retirada Cláudia Rezende - Repórter TONINHO ALMADA  Mário de Assis enviou ofício ao governador pedindo que livro não seja mais usado A polêmica em torno do uso do livro "Viver, aprender unificado", do Projeto de Aceleração da Aprendizagem pela rede pública estadual rende novos capítulos. Ele está sendo criticado por pais de alunos - na faixa etária dos 15 anos, que estão nos 8º e 9º anos do Ensino Fundamental - por conter palavrões. A Federação de Pais de Alunos das Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg) desistiu de tentar retirar o livro de circulação ainda neste ano, mas enviou ofício ao governador em exercício Antônio Augusto Anastasia (PSDB) pedindo que ele não seja usado no ano que vem. Tanto a Secretaria de Estado da Educação quanto o Ministério da Educação, no entanto, referendam o capítulo do livro "Capão Pecado", de Ferréz, que está na obra e contém palavras consideradas de baixo calão como "filho da p." e "tomar no c." 
O autor chama a atitude dos pais de uma "caça às bruxas". A assessoria do MEC afirmou que o Ministério considera que esse tipo de contestação faz parte de uma onda conservadora que não faz sentido e que vem sendo combatida há muitos anos. 
Mas a federação de pais solicita, no ofício ao Governo, que, até o final do ano, o texto criticado seja trabalhado dentro de uma ação pedagógica, destacando o caráter literário da obra. O presidente da Fapaemg, Mário de Assis, informou que vai aguardar a resposta do Governo até a próxima quinta-feira. Segundo ele, se não houver retorno, a entidade vai acionar o Ministério Público e as comissões de Educação e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa para pedir providências. O presidente da federação informou que tem uma estimativa em mãos de que cerca de 70% das pessoas são contra o emprego de livros com expressões chulas em sala de aula.
"Existe um grito social das escolas para a sociedade a respeito da falta de limites dos alunos. O texto é literário para jovens que têm boa base familiar. Os que não têm não veem assim. Vão dizer que podem xingar o professor porque os palavrões estão no livro que a escola dá", disse. A Superintendência de Comunicação do Governo do Estado informou que, até a noite de ontem, o governador ainda não havia recebido o ofício. 
O fragmento que está gerando a polêmica, do livro "Capão Pecado", conta a história do personagem Carimbê, um trabalhador que sai da terra natal para tentar a vida em outra cidade, e retrata o cotidiano de pessoas de baixo poder aquisitivo, que vivem em locais periféricos das cidades. No capítulo dois, em que a obra é reproduzida, são tratados temas como narrativa e linguagem. A reportagem tentou contato com o autor do texto, mas não recebeu retorno. Em seu blog, Ferréz critica a "caça às bruxas", dizendo que palavrão para ele é "fome, corrupção e hipocrisia". 
  A Secretaria de Estado da Educação enviou nota na semana passada, informando que o livro foi avaliado e aprovado pela comissão pedagógica da instituição e que não irá retirar a obra do Projeto Aceleração da Aprendizagem. Neste ano, foram distribuídos 15 mil exemplares. 
De acordo com o MEC, o livro "Capão Pecado" foi aprovado pelo Ministério para o Programa Nacional de Bibliotecas (PNBE) em 2006 por entender que a obra tem qualidade. Segundo a assessoria, o MEC entende que palavras de baixo calão fazem parte da Língua Portuguesa e que espera-se que professores e bibliotecários possam mediar o contato entre textos e estudantes. O órgão também informou que o ministério não irá rever as obras que foram aprovadas para o programa. Conforme a assessoria, há outros livros aprovados que também estão sendo contestados. O principal é "Um contrato com Deus e outras histórias de cortiço", de Will Eisner, também usado na rede pública de Minas. 


Trechos de "Capão Pecado", de Férrez 
"Carimbê tenta entrar no meio da multidão, mas o pessoal se afasta dele como que se afasta da morte, e todos apontam para ele e sua fubanga quando o sargento pergunta furioso:
_ Quem foi o grande filho da p. que me derrubou?"   
"- Tô vendo, ontem você estava tumultuando naquele boteco, hoje bebinho em plena segunda-feira, entra aí na viatura, vagabundo , que nós vamos averiguar."   
"Avista um senhor que vende bilhetes e se direciona ao mesmo, mas antes de perguntar o vendedor lhe grita furioso:
- Se for para perguntar, pode saindo fora, eu num sei onde fica p. nenhuma!"   
"Já são sete horas da manhã e Carimbê acorda assustado quando ouve algo.
- Essa b. virou hotel de cachorro agora?"   .matérias relacionadas .Educadores apoiam uso 'controlado' de palavrões

7 comentários:

Guilherme disse...

Existe moleque(a) de 15 anos que já não conheça e pratique todos os palavrões existentes na língua brasileira?

Hipocrisa dos infernu!

Rkn ribeiro disse...

Quando estava na escola a professora sempre empurrou livros do Machado de Assis para todos lê, agora pergunta se alguém leu alguma obra dele... Depois da tortura de ler as 20 primeiras paginas já era, ninguém abria mais o livro. Enfim o estado consegue o que queria, fazer o aluno fica aproximadamente 11 anos na escola sem nunca ter lido um livro.

Rkn ribeiro disse...

Quando estava na escola a professora sempre empurrou livros do Machado de Assis para todos lê, agora pergunta se alguém leu alguma obra dele... Depois da tortura de ler as 20 primeiras paginas já era, ninguém abria mais o livro. Enfim o estado consegue o que queria, fazer o aluno fica aproximadamente 11 anos na escola sem nunca ter lido um livro.

Rkn ribeiro disse...

Quando estava na escola a professora sempre empurrou livros do Machado de Assis para todos lê, agora pergunta se alguém leu alguma obra dele... Depois da tortura de ler as 20 primeiras paginas já era, ninguém abria mais o livro. Enfim o estado consegue o que queria, fazer o aluno fica aproximadamente 11 anos na escola sem nunca ter lido um livro.

EcoMecatronica disse...

Quem tem problema com o termo é que o cabe. A obra pode ser questionada quanto seu teor, mas quanto a isso faz parecer que a escola é um universo paralelo.

EcoMecatronica disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
EcoMecatronica disse...
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