Salve
Como agente não consegue ficar em paz muito tempo, depois de caçar meus trabalhos em Minas Gerais, agora a bola da vez é a Bahia, o Ministéiro Público já foi acionado e está averiguando a denúncia de trechos do Capão Pecado, meu primeiro livro, que foi usado na escola de lá no livro Linguagem, práticas de leitura e escrita, escrito por Anna Christina Bentes, publicado pela Global e Ação Educativa.
Quero aqui dizer a professora que está sendo vítima de perseguição por usar o livro, que é inclusive indicado pelo MEC, que torço para que os responsáveis pela secretaria de educação não se deixem manipular pela reportagem do jornal Bahia Meia Dia, que fez uma reportagem tendenciosa e preconceituosa sobre o livro, pra quem não sabe o jornal é do Grupo Rede Globo de televisão.
Num pais onde programa como Pânico na TV mostra até o "útero" das mulheres, e onde nosso símbolo de carnaval é uma mulher negra nua rebolando com a vinheta da Globo, até que eu devo estar errado mesmo, por tratar de temas como a Aids e machismo.
HIPOCRISIA NA EDUCAÇÃO“Pais de alunos denunciam uso de livro com conteúdo erótico em escola estadual em Feira de Santana.” Por Elenilson Nascimento
Hoje, 26/03, a direção da Escola Estadual Godofredo Filho, em Feira de Santana, cidade do interior da Bahia, sobre pretexto de ter recebido protesto de pais de alunos, recolheu o livro didático “Linguagem - Práticas de Leitura e Escrita” de Anna Christina Bentes, distribuído numa sala de aula de 8ª série por uma professora, pois no livro continha textos literários onde supostamente relatava, em detalhes, relações sexuais entre dois personagens.
O livro fazia parte de uma atividade proposta por uma professora de português de uma turma de 8ª serie.
Um dos pais dos alunos procurou o Procon de Feira de Santana para reclamar sobre o conteúdo do livro, que considerou inadequado.
O diretor do Procon, Magno Felzemburg, provavelmene um pedagogo e/ou funcionário da educação, entendeu – por obra do Espírito Santo – que a linguagem era imprópria para crianças e adolescentes e decidiu encaminhar o caso ao Ministério Público.
“Como não é uma escola particular e não se trata de uma relação de consumo, estamos recomendando apuração”, afirmou Felzemburg.
Por sua vez, a diretora da escola, Delma Ribeiro, justifica que o livro destinava-se a jovens e adultos que estudam na escola no turno noturno.
“Não sabemos por que a professora usou na 8ª série. Eu pessoalmente digo que não usaria. Mas a professora é responsável e inclusive pediu uma reunião para se justificar com os pais”, declarou a diretora.
Pela internet, verifiquei no site da Rede Bahia, no Jornal do Meio Dia, uma matéria sobre o assunto, onde uma aluna com uma "cara de sacana" diz ter ficado horrorizada com o livro que foi adotado por conta própria pela professora de português.
O problema, segundo alguns alunos que denunciaram o caso, é que o livro usado na atividade relata em um texto, e em detalhes, relações sexuais entre os personagens.
Na edição, dois textos com teor erótico e palavras de cunho sexual chamaram atenção dos estudantes: o romance “Capão Pecado”, de Reginaldo da Silva, o Ferréz, que conta a história de um grupo de adolescentes e a autobiografia de uma mulher que contraiu Aids.
Assunto incompreensível para essa facha etária? A turma com alunos entre 13 e 16 anos ainda não havia recebido os livros oficiais de português entregues pelo Ministério da Educação, por isso o livro didático polêmico com trechos da obra de Ferréz estaria sendo usado temporariamente.
Ferréz, o autor do polêmico(?) texto incluso num livro didático. Mas parece que esse livro “Capão Pecado” do Ferréz está sendo vítima de uma verdadeira caça às bruxas, pois caso parecido já aconteceu também em Minas Gerais, como o próprio autor escreveu no
seu blog que, segundo o autor, talvez seja porque “nas nossas escolas ninguém fala palavrão, e palavrão para ele é FOME, Corrupção e Hipocrisia”.
Como também já foi notícia na revista
Isto É.
Eu só queria saber onde esse povo vive? Aí, esqueci: Feira de Santana! Pois parece que em Feira as pessoas não têm contato com sexualidade, que essas coisas não são vistas a qualquer hora nos patéticos programas de TVs, nos BBBs imbecis que todo mundo assiste, nas novelas cheias de duplo sentido, nos desenhos animados e, principalmente, na merdinha da “Malhação” com o filho de Fábio Jr. Me poupe! Provavelmente, os alunos que mais ficaram indignados são os que menos deveríamos ser ouvidos, são aqueles que vão para os colégios para ficarem com as suas caras de sacanas perturbando nas aulas.
“Ela chegou aqui na sala, saiu distribuindo os livros. A gente pegou o livro e foi folheando. Quando folheou, a gente viu os textos eróticos e ficamos horrorizados. Todo mundo da sala ficou horrorizado porque eram palavras pornográficas mesmo”, contou uma aluna indignada na TV. Após a denúncia, a turma não quer mais ter aulas com essa professora. Lógico! O diretor da Direc, professor Eutímio Almeida, confirmou que o material é indicado sim para o programa de ensino de jovens e adultos e teria sido usado pela professora por conta própria. Um colegiado formado por professores, pais e alunos da Escola Estadual Godofredo Filho vai decidir se a professora deve ou não ser punida pela falha. Falha?
Mas que falha? A mulher teve a ideia, coisa muito rara entre professores, de trabalhar com um livro e agora querem queimá-la? Só nesse país de bagaça mesmo que acontece essas coisas. O debate que devia girar em torno da desigualdade social que o texto do Ferréz no livro aborda, desembocou no tipo de linguagem usado.
E, contraditoriamente,
os alunos do Ensino Médio, via de regra, são os que normalmente denunciam e também os que raramente “contribuem espontaneamente” com a escola. Por outro lado, a maioria dos veículos de comunicação, acreditando estar fazendo seu papel social, abre os microfones aumentando ainda mais o peso de denúncias tão sem sentido. O que todos eles deveriam denunciar são os prolongamentos dos feriados, os conselhos de classe que não servem para nada, as reuniões pedagógicas inúteis e as inúmeras outras razões para aprovação em massa de alunos por professores, especialmente para os terceiros anos do Ensino Médio. Vale ressaltar que esta conta é superficial, se analisarmos cada dia, escola e turma, seguramente os números são ainda mais assustadores.
E porque ninguém denuncia? Nem os estudantes, nem os pais, nem os professores, nem os diretores, nem os jornais, nem o Conselho Tutelar, nem o Ministério Público. Cadê o governo, a sociedade desorganizada e a organizada, ou alguém que se preocupe com nossas crianças e adolescentes? Porque a escola que deveria ensinar e cumprir a lei, exercendo e fazendo exercer a cidadania é a primeira a descumprir sua regra maior, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e a Constituição Federal. Mas eu também quero ter um texto polêmico num livro didático para também ser crucificado por pais, professores e estudantes cada vez mais imbecis! + Agora, assista o vídeo da reportagem no Bahia Meio Dia, TV Bahia, onde a pobre alma da professora é colocada como a que usou livro com histórias eróticas: