Blog do escritor Ferréz

Capão Pecado é caçado em Minas Gerais

Capão Pecado está sendo vítima de uma verdadeira caça às bruxas em Minas Gerais, é porque nas nossas escolas ninguém fala palavrão, e palavrão pra mim é FOME, Corrupção e Hipocrisia.
O debate devia girar em torno da desigualdade social que o livro aborda, mas em vez disso se discute a linguagem.

mas o pau tá comendo, como você pode ver na matéria a seguir:
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdEdicao=1435&IdCanal=6&IdSubCanal=&IdNoticia=122721&IdTipoNoticia=1

Polêmica. Quinze mil exemplares já foram distribuídos no Projeto de Aceleração da Aprendizagem, em MG
Livro didático com palavrões é motivo de controvérsia
Secretaria de Educação descarta recolher o material didático das escolas
FLAVIANE PAIXÃO
Um fragmento da obra literária "Capão Pecado", de Reginaldo Ferreira da Silva, o Ferréz, suscitou um debate entre professores e pais de alunos do 8º e 9º anos do ensino fundamental do Projeto de Aceleração da Aprendizagem do Estado. O capítulo 15 da publicação foi incluído no material didático usado pelos estudantes, mas o texto contém palavrões e expressões chulas, usadas para descrever a rotina de personagens que vivem em uma área de vulnerabilidade social de São Paulo. "Sou avesso a esse tipo de literatura em sala de aula. Se a pessoa vai a uma biblioteca, ela escolhe o livro. O aluno não teve opção", disse o professor e escritor Henrique Nunes Paixão, que aboliu o material didático de suas turmas, em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Nunes ainda alegou que o livro cedido pela Secretaria de Estado de Educação (SEE) - "Viver, Aprender Unificado" - não condiz com a realidade dos estudantes, que têm dificuldade de aprendizagem e passaram por pelo menos duas reprovações.
Você acha que os palavrões e outras expressões que possam provocar polêmica devam ser retirados de livros didáticos? Clique aqui e vote em nossa enquete!O público leitor do livro tem idade mínima de 15 anos. O material didático, segundo ele, chegou com atraso. Somente em julho passado os adolescentes tiveram contato com a obra. Com o avançar da leitura, descobriram-se os termos. O presidente da Federação das Associações de Pais e Alunos das Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg), Mário de Assis, afirmou que irá enviar hoje um ofício ao governador Aécio Neves cobrando explicações. O Ministério Público também deverá ser acionado. "Nenhum pai reclamou para a federação. Mas não me sentirei confortável caso meus filhos se dirijam a mim com os mesmos termos usados no livro", ponderou Assis.
Hipocrisia ou precaução? De que lado você está?Clique aqui e dê sua opinião. Participe do nosso forum!Por outro lado, a presidente da Associação de Professores Públicos de Minas (APPMG), Joana D’arc Gontijo, avalia que as expressões foram usadas em um contexto específico, que pretendia explorar as diversas formas de linguagem. "Não tem nada além do linguajar do dia a dia. Está mostrando a realidade nua e crua do brasileiro pobre. Indecente e imoral é roubar. Não estou defendendo o palavrão, mas houve um objetivo, que era mostrar uma comunicação mais simples", analisou Joana. Os professores deverão ser convidados pela associação para discutir o material. Em nota, a SEE esclareceu que o livro foi examinado e aprovado pela equipe pedagógica da secretaria para ser usado na faixa etária que corresponde ao projeto. Foram distribuídos 15 mil exemplares aos alunos do programa. Ainda conforme a secretaria, o livro não será recolhido. "O debate precisa sair da esfera moral. Recolher o livro seria lamentável. É um pecado privar os alunos de uma leitura crítica desse conteúdo", observou o pedagogo e professor da PUC Minas Luiz Carlos Rena. Outra observação do especialista é que o autor literário não precisa restringir sua liberdade. "Vale a pena debater e não condenar", disse.Apesar de não ter tido contato com o livro, a estudante Natália Malta, 15, classificou o palavreado como impróprio. "Não acho correto para um livro. Me assusta um pouco."
OUÇA ABAIXO TRECHOS DAS ENTREVISTAS COM O PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DE PAIS E A PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES:
Mário de Assis, presidente da Federação de Pais e Alunos das Escolas Públicas de Minas Gerais

12 comentários:

balaio do pedrão disse...

Esse tipo de discussão é típica de quem não entende nada nem de Literatura nem de Educação. Todo mundo quer meter a colher em educação, em arte, mesmo sem saber do que está falando. lamentável...

WILSÃO NEGREDO E RENATO VITAL A CORRENTE FORTE DO GUETO disse...

Quem diria, enquanto a Jessica Balbino publica os textos de um maloqueiro no jornal de maior circulação de Poços de Caldas (o maloqueiro é eu), alguns ficam com moralismos inúteis. Lamentável mano. Abraços.

Anderson Felix disse...

Salve, Ferréz! Conheço o livro e, melhor ainda, o ensino público no Brasil, particularmente da periferia de SP. Se os pais se surpreenderam com os "palavrões" no livro, por que também não se assombrarem com os da televisão, da internet, e sobretudo aquilas que descem de guela à baixo! Para ser sincero, não acho que nenhum aluno tenha se surpreendido com nada em seu livro, a não ser o retrato da sociedade em que vivemos...um forte abraço!

Jota disse...

Creio que a opinião de Joana D'arc Gontijo e a de Luiz Carlos Rena, pessoas bem mais gabaritadas pedagogicamente para falar sobre o assunto do que o senhor Mário Assis,já evidencia o grande equivoco que é essa "caçada", me preocupa mais ainda o despreparo do professor citado na entrevista, que demonstra não estar em sintonia com a produção literária contemporânea e com a realidade vivida por alguns segmentos da sociedade.
Errado é privar o aluno do acesso à esses textos e contribuir com estigmatização e o preconceito social e linguístico que poderia, inclusive, ser abordado na reflexão sobre os textos e temas propostos por eles.
Estão desvirtuando o propósito da educação ao impedir a reflexão e livre expressão, para essas pessoas educativo deve ser o linguajar politicamente correto da rede Globo!

Toxic Avenger disse...

Ferrez, o que você faz é a glorificação da pobreza e das expressões chulas. Se é vergonha roubar e fazer com que outros passem fome, é no mínimo falta de decoro e educação alfabetizar jovens com exemplos chulos.

As pessoas devem EVOLUIR e não achar bacana qualquer porcaria que venha com o selo "periferia" (pobrismo)

negobrown disse...

esses malas ja querem pegar no seu pe de novo mano, eu me lembro q tempo atraz por causa de suas criticas sobre o "crianca esperanca" a globo pagou varios anuncios de paginas inteira em varios jornais para dizer ao povao q o ferrez estava mentindo sobre os milhoes que sao enviados para a globo e ninguem nunca falou nada!!!! agora essa !!!

Mari - South Africa disse...

Palavrão não é novidade pra nenhum marmanjo de oitava série. Falo isso porque curso a oitava série e sei muito bem que todos os alunos tem um conhecimento, até um pouco excessivo, sobre a linguagem fula.
E sei também que todos os diretores e funcionários da secretaria de educação de MG sabem que oitava série não é criançinha que precisa ser "poupada" das "maldades do mundo". Precisam sim é de um "acorda" pra realidade que seu país vive. Uma realidade preconceituosa, e cheia de palavrões.

Marcos Lopes (Nene) disse...

Na opinião da professora Joana D´Arc, eu fui indecente e Imoral, pois, fui expulso da escola aos 15 anos de idade, roubei e cheguei a gerenciar uma boca de fumo. Aos dezesseis anos troquei a caneta por uma pistola 380 e até os 20 não tinha ainda pegado uma obra literária para ler.

Mais, foi depois que li o "Capão Pecado" que a minha vida se transformou; Comecei a frequentar bibliotecas, a Mário de Andrade e a da Casa do Zezinho foram uma delas, onde conheci obras de Machado de Assis, Eça de Queiróz, Fernando Pessoa, Marcelo Rubens Paiva, José Saramago, Lobo Antunes, Walt Witman e muitos outros. Larguei a Criminalidade, as drogas e voltei a estudar, entrei para a Faculdade e lecionei durante três anos no colégio do qual fui expulso.

Identifiquei-me tanto com a obra que a trabalhei com alguns alunos, que assim como eu, também nunca tinham pegado um livro para ler. Será que os meus alunos e eu nos identificaríamos caso não houvesse gírias, se não houvesse e os palavrões que há muito se incorporaram em Nossa Língua Portuguesa Informal? O cinema Nacional, por exemplo, são pouco os filmes que não tenham palavras "chulas" o que vocês acharam de Cidade de Deus e o Filme Tropa de Elite que foram reconhecidos internacionalmente? Será que nossos filhos deixaram de ir ao cinema por causa dos palavrões? Será que eles chegaram em casa proferindo-os?

Acredito que não, senhores. Acredito que não são os palavrões proferidos da boca de uma mera personagem que influenciará na educação dos nossos filhos, mas sim o que eles assistem na tevê, as "asneiras" que eles ouvem no rádio e além de tudo, a dinâmica familiar que ela participa dentro de casa diariamente.

Um professor disse que, se o aluno for à biblioteca, ele terá a opção ou não de ler esta obra. Ora, sabemos que não é esta a realidade, e que muito raramente vemos jovens de 15 anos frequentarem a Biblioteca.

Segundo a empresa de consultoria NOP WORLD, consultada no site bbcbrasil.com entre 30 nações pesquisadas o Brasil é o 27º do ranking em leitura com a média de 5,2 horas. Pensando que a Índia ficou em 1º lugar com 10,7 horas de leitura.

Será que estamos falando do mesmo Brasil, professor?

Para algumas pessoas do Estado de MG o material - Capão Pecado - pode ter chegado atrasado, mas, para mim, chegou na hora certa, pois resgatei meu sonho e escrevi um livro que se chama Zona de Guerra.

Acredito, caros amigos, que se os nossos filhos chegarem a nos desconfortar por causa de um palavrão, é porque a educação que eles estão recebendo dentro de casa não está sendo eficiente.

Eu tenho uma sugestão; o que acha, professor, de acabarmos com as obras do escritor Jorge Amado, com as Letras de Chico Buarque, com o Cinema Brasileiro, com algumas novelas brasileiras - cenas de sexo - e proibir o Roberto Carlos de cantar " e que tudo mais vá pro inferno"? Viva a Ditadura!!!!!!

KeLLy__ disse...

Engraçado, tantas coisas na qual devemos nso preocupar e olha aí por qual motivo resolvem "implicar".
Quem hoje em dia não conhece um palavrão? Vai tirar de um livro, e aí? E a televisão que ensina coisas mil vezes piores, porque ninguém senta e resolver muda o tipo de programação? Que nada, ficam lá parados, alienados vendo tudo aquilo e se duvidar ainda batem palmas.
Tira do livro, e os pais que sempre falam seja em brigas do casal, seja no trâsito e nem percebem que os filhos estão ouvindo.
Na boa, se querem tirar esses palavrões do livro, acho que deveríamos nos reeducar.
Devo concordar, palavrão é FOME, DESIGUALDADE SOCIAL, MORTE. Caraca... Vamos nos preocupar com coisas que afetam muito mais a nossa sociedade. Qualquer um pode conviver com um porra, mas não com a barriga vazia.

fábio bonillo disse...

ferréz, parabéns pelo livro, que só fui ler recentemente. é muito bem escrito e não tem nenhuma glorificação da pobreza, como disseram no comentário abaixo. é uma história sobre uma fatalidade, sobre um amor proibido e sobre uma vida cheia de privações. pelo menos eu entendo assim! não fui criado na periferia, mas não tive dificuldade nenhuma par entender o vocabulário do rael e dos amigos dele. essa história de "linguagem chula" é balela: se fosse assim, nem "macunaíma" seria lido na escola, já que no livro as pessoas "mijam" (palavra "chula" que vinicius de moraes usava a rodo). parabéns novamente! abraço

marcio antonio disse...

Ferréz,
sou professor do ensino básico e linguista e não posso deixar de manifestar meu desprezo pelo fato ocorrido com seu livro. O problema é que muita gente acha que ensinar língua é ficar repetindo inúmeras vezes "sujeito é isso". E pensar que recomendei seu livro para meus alunos semana passada... logo vão proibir a gente de falar tb.
abs

Maria Muadiê disse...

Ferrez, sou educadora e sinto muito pelo que aconteceu. A hipocrisia é foda. Desculpem os censores pelo infame trocadilho.
Em educação todo mundo quer meter a colher e a maioria dos professores está amordaçada
pelas dificílimas condições de trabalho.
Axé,
Martha