Blog do escritor Ferréz

Prisioneiro do meu mundo irreal

Prisioneiro do meu mundo irreal

Na Pulsação do meu órgão mestre é que eu sinto que o bem prossegue, a vida segue, tipo um jogo, em cheque, milhares de células em disparada se fortificando, se preparando para a virada, a meta já foi definida, na favela não te avenida, não há mais como retroceder é avançar ou morrer e os pulmões estão em plena forma, membros articulações, ossos, em ataque para a desforra, as vezes duvidas pairam em meu ser, mas todos tem que entender, que antes de ser mano eu sou humano minha ação foi lentamente programada, minha capacidade expandida, ampliada, vindo devagar ladrão, mas com moral, nas grades do pensamento não me vi indefeso nem preso, fume por mim, beba por mim, porque meu conceito e minha moral, não me deixam ser assim, está longe de mim, tentar nesse mundo se acabar, não ando com bala no bolso, os manos tendem a respeitar, pois a arma está no bolso esquerdo, esferográfica preta, logo trombo um esqueleto pronto pra treta, pois só quer fumar maconha e com algumas palavras o faço chorar, ele lembra de sua mãe e se pergunta que vida é essa, Eu sou homem mano, mas não sei que vida é essa, dizem que foi o diabo que fez a farra, cerveja gelada, role de madrugada, vários andando e não encontrando a nada, de periferia em periferia e não encontrando a nada, fuzil que já foi apontado, pipa no morro moleque, pronto pra ser desbicado, rabiola presa na antena, treta na rua e fogo no barraco, minha cabeça raspada, minha calça folgada, a parte esquerda do cérebro a tempo foi ativada, minha visão vai bem mais além, do álcool, da pedra, da quebrada eu não me faço refém, andando que nem louco, pilotando o que é meu, não pondo banca, correndo além do seu alcance, pro sistema pilantra eu não dou chance de revanche, pois a favela já sofreu demais, o povo tem que acordar se informar e correr atraz, o meu joelho em movimento continua acelerando, buscando bem consciente e nunca em segundo plano, com ação intelectual conceituada na esperteza de caçador passei a ser a presa, sou prisioneiro do meu mundo irreal, minha vida direcionada por um ideal, seguindo com meu corpo, meu rap, minha família, sabe quem guia, o homem da guerra fria, não é do sangue nem da carne, nem do espírito, quem está contigo perante o perigo, amigo seja breve pois o tempo se perde, a cada ato mal cometido a vida retrocede, no Capão vários estão, poucos ficarão, e os que morrerão estão comprando ilusão, se esqueceram que a informação é a arma que temos, se esqueceram e se deixaram comprar pelo dinheiro, aceitando droga, arma como pagamento, pelo sistema matam a cada momento, no juramento aquela da bandeira do Brasil, somos filhos bastardos nessa guerra civil.
Esse texto chegou a ser musicalizado pelo grupo Conceito Moral e lançado no seu primeiro disco: O Iníco da Guerra/ Gravadora BMR/Sony Music.

Um comentário:

William WWW disse...

bravo!