Blog do escritor Ferréz

o escritor e o limite da militância.

Salve, bom esse texto vai para explicar algumas coisas, e principalmente para os patrulheiros de plantão.
Bom um escritor é um ficcionista e não um mero datilógrafo, então quando escrevemos crônicas, colocamos o que pensamos não é?
pois bem, agora quando fazemos um romance, ou conto entenda-se que o escritor está fora de julgamentos e de tabus, ou seja, quando narramos é fato que os personagens tem seus próprios pensamentos e portanto seus próprios preconceitos e defeitos, assim como qualidades, não quer dizer (e isso em nenhuma ipótese) que o escritor pensa assim.
Quando escrevo um conto, as vezes um cara no conto fuma maconha, as vezes ele pode cheirar, ou não, isso não quer dizer que estou me retratando no conto, assim quando um personagem agride alguém, não quer dizer que somos assim, isso é só um exemplo, mas falo isso porque quero usufruir da mesma liberdade poética que todos os escritores tem, e não é porque abordo muitas vezes temas de militância politicia que tenho que pairar na mesmisse.
recentimente fiz um conto, sobre uma palestra, nada diz que aquilo de fato existiu, porque é um conto, não é uma crônica, onde eu digo o que passei e o que penso.
Quando retratamos até uma coisa real, ela já não é mais real, porque colocamos o nosso ponto de vista, o nosso olhar, ou o ponto de vista de um personagem que criamos.
O conto retratava uma Americana, o Paulo Lins e uma gorda, personagens que naquele momento passaram a ser de ficção, e por isso pensam e julgam a vida pela ótica deles.
Só estou escrevendo esse texto para deixar claro, que uma coisa é fazer literatura confecional e outra é fazer contos, romances e crônicas, não podemos ser julgados pelo que o texto pede, se não nos tornamos prisioneiros dos argumentos dos personagens.
O escritor muitas vezes cria um narrador, e esse narrador muitas vezes tem seus próprios medos também, e sua própria capacidade de intervir conforme achar melhor, portanto o narrador também é uma ficção muitas vezes, se não vamos a escreve somente diários, e isso seria chato pra caralho, dado que minha vida não tem fato nenhum que prenda o leitor (pelo menos eu acho).
Ou seja, se um narrador é preconceituoso com gordos, eu deixo ele narrar, porque ele é meu personagem eu o criei, e não é pelo fato de também ser gordo que vou sensurar seus pensamentos.
isso é licenciamento, é a autonomia e o respeito do escritor perante seu trabalho.
até mais.
Ferréz

2 comentários:

Cocô disse...

Pra vc estar escrevendo isto deve haver algum motivo. Mas acho q isso é dispensável, confundir personagem é a mesma coisa q bater em ator de novela (se bem q esses merecem apanhar, mas isso é outra coisa...).
Quem não consegue dissociar o q é literatura/ficção, ou é ignorante, ou é pedante...
Se for por ignorância merece uma ajuda, se for por pedantismo merece tomar no ...

Abraços,

inclassificaveis disse...

nao é isso que vejo em ferréz. sempre li seus contos com a mais pura realidade. continuo achando que vc foi preconceituoso no conto que cita a gringa, paulo lins e a gorda...